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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Alimentação e treino funcional x dieta e exercícios tradicionais: quem vence essa batalha?


Nunca se ouviu falar tanto em treino funcional e alimentação funcional como hoje em dia. Estamos vivendo uma época de novas tendências para a promoção da saúde e qualidade de vida, e tanto a dieta quanto a prática de atividades físicas têm sido impulsionadas por esses dois. Mas, afinal, o que eles têm de tão especial e diferente?

Segundo a nutricionista e profissional de Educação Física Silvânia Vasconcelos, da Nutricional, a alimentação funcional utiliza alimentos e combinações que possuem na sua composição compostos bioativos (vitaminas, minerais, antioxidantes, ácidos graxos, fibras, lactobacillus, etc.) que beneficiam o organismo de forma natural e/ou previnem doenças crônicas não transmissíveis como câncer, diabetes e obesidade, dentre outras.

“Na alimentação funcional, o principal foco é a qualidade e especificidade do composto bioativo (presente em verduras, legumes, frutas, dentre outros, que favorecem a saúde, contribuem para o bom funcionamento dos órgãos, e até na prevenção e  combate a doenças) presente no alimento. Já na dieta tradicional, principalmente ocidental, existe uma preocupação (relevante, diga-se de passagem!) com o valor calórico dos alimentos e composição em macronutrientes (componentes da alimentação fundamentais para o organismo: proteínas, lipídeos e carboidratos). As condutas tradicionais utilizadas, também destacam a importância da qualidade e especificidade do composto bioativo, porém com um perfil mais coadjuvante”, explica.

E há quem defenda que quando se une a alimentação funcional com a prática de atividades físicas também funcionais, o corpo pode criar adaptações que melhoram a eficiência na realização de práticas cotidianas e prevenção das “demandas estressoras” à saúde.

Dentro desse contexto, ressalta Silvânia, o treinamento funcional é um método que visa eficiência nas habilidades motoras mais utilizadas no dia a dia ou específicas de um esporte, ou ainda ação motora pessoal como, equilíbrio estático e dinâmico, coordenação, marcha, agilidade, propriocepção, resistência e controle corporal, por exemplo.

Se comparado a um treino comum, o funcional dá mais resultado? A nutricionista questiona: O que é um treino comum? Comum para o quê, para quem? Na verdade, o treinamento funcional em academias tem se destacado por utilizar exercícios mais dinâmicos e de curta duração – puxar, empurrar, correr, saltar, pular corda,... – o que caiu como uma luva para a rotina da maior parte das pessoas.

Isso, aliado aos resultados, que de fato existem, pode explicar o ‘boom’ desse tipo de atividade. Mas, essa questão de melhor resultado vai muito do objetivo particular de cada aluno”.

Silvânia não faz parte do time que define a alimentação e treinamento funcionais como mais um modismo. “Não vejo assim porque existe comprovação científica dos benefícios”, argumenta. No entanto, ela chama a atenção para dois detalhes: “Em geral, pessoas com pouca habilidade culinária ou menor poder aquisitivo, podem apresentar dificuldade na manutenção de um plano alimentar funcional. E tem mais... Se verificarmos os preços, tanto dos produtos e alimentos com alegações funcionais, quanto dos serviços, veremos que não combinam muito com o quadro atual da nossa economia”.

Ela ressalta ainda que a discussão se dá em dois campos da área da saúde, onde não existe nada exato: “Hoje eu posso afirmar que certas uvas possuem um composto bioativo com benefícios antioxidantes efetivos. Daqui a 10 anos, porém, podem testar esse composto num público diferenciado, que responderá de maneira contrária. Então, minha recomendação é sempre a mesma para quem deseja cuidar do corpo e da alimentação: procurar um profissional de Educação Física e um nutricionista. Eles vão prescrever a melhor atividade e plano alimentar para cada caso”, conclui.

Alimentação e treino funcional: vantagens e desvantagens 

- As vantagens da Alimentação Funcional:

>> Prevenção de determinadas doenças crônicas não transmissíveis;
>> Maior equilíbrio da microbiota intestinal,melhorando a eficiência absortiva e sistema imunológico;
>> Incentivo à alimentação natural e orgânica;
>> Incentivo à prática culinária e aprendizado de técnica dietética;
>> Redução do consumo de alimentos processados;
>> Incentivo à regionalização alimentar e a agricultura local.

- As desvantagens  da Alimentação Funcional:

>> Alegações de propriedades funcionais dos alimentos, sem o devido embasamento científico e registro junto aos órgãos competentes;
>> Alto custo de alguns produtos não regionais;
>> Aumento de reações de sensibilidade a bioativos não tradicionais na cultura alimentar brasileira;
>> Presença de algumas receitas culinárias de execução elaborada;
>> Maior demanda de tempo para preparo dos alimentos;
>> Muita informação sem credibilidade científica sendo vinculada em mídias gerais.

- As vantagens do Treino Funcional: 

>> Maior variedade de Exercícios e séries, o que promove mais dinamismo e menor monotonia nos treinos;
>> Incentivo à socialização através de utilização de atividades populares;
>> Maior flexibilidade com relação ao local dos treinos (praia, academia,condomínios, etc);
>> Treinamento de diferentes qualidades físicas;
>> Treinos mais rápidos e Intensos;
>> Resultados mais rápidos, quando bem orientados.
>> Maior estímulo à superação e autoestima.

- As desvantagens do Treino Funcional:

>> Pouco estímulo à hipertrofia muscular;
>> Pode favorecer ao aparecimento/agravamento de lesões quando os exercício são mal orientados;
>> Pode necessitar de equipamentos específicos para a sua prática;
>> Muita divulgação não confiável por mídias sociais;
>> Como todo método, exige maior capacitação profissional para o seu desenvolvimento.

Fonte: Folha Vitória

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dietas sem glúten, lactose e açúcar: vantagens e desvantagens


Na busca por melhores resultados em um processo de emagrecimento, muitas pessoas acabam aderindo, sem nem mesmo consultar um nutricionista, às chamadas dietas da moda, que, em alguns casos, prometem verdadeiros milagres – mas que dificilmente são cumpridos.

Atualmente, fala-se muito sobre a dieta sem glúten e dieta sem lactose e muita gente acredita que elas possam ser a solução para os seus problemas.

Porém, aqueles que veem nestes dois tipos de dieta nada mais do que a possibilidade de emagrecimento estão cometendo um equívoco, já que este não é o objetivo de nenhuma delas.

Neste sentido, é fundamental entender como funciona cada uma destas dietas, quais são suas vantagens e desvantagens, e para que tipo de pessoa são indicadas.

Abaixo, nutricionistas esclarecem as principais dúvidas sobre o assunto.

Dieta sem glúten

Vivian Ragasso, nutricionista esportiva do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, explica que o glúten é uma proteína presente no trigo, cevada, centeio e, por contaminação cruzada, na aveia. “O plantio e beneficiamento da aveia no Brasil são feitos nos mesmos locais em que o trigo e por isso ocorre a contaminação”, diz.

A nutricionista Sabrina Lopes destaca que o glúten pode provocar inflamações em algumas pessoas, gerando dores articulares, problemas gastrointestinais, dores de cabeças, indisposição e inchaço. “Geralmente esses sintomas são desfrutados por pessoas que possuem uma intolerância ao glúten ou pelos celíacos, e a retirada dessa substância do cardápio, além de eliminar esses sintomas, também auxilia na perda de peso”, explica.

Porém, vale ressaltar, que não existe nenhuma evidência científica que comprove a eficácia da dieta em pessoas que não possuem intolerância ao glúten ou doença celíaca. “Vale lembrar que a eliminação do glúten da dieta só deve acontecer com o auxílio de um nutricionista”, diz Sabrina Lopes.

Vivian Ragasso destaca que o Conselho Regional de Nutrição divulgou, em 2013, um parecer oficial recomendando que a dieta com restrição de glúten deve ser feita apenas por pessoas com doença celíaca. “Não é indicado que as pessoas deixem de consumir alimentos com glúten sem orientação nutricional e sem indicação, evitando a deficiência de nutrientes essenciais responsáveis pela manutenção e promoção do estado nutricional”, diz a nutricionista.

Dieta sem lactose

Vivian Ragasso explica que a lactose é um tipo de carboidrato contido em leite de origem animal e seus derivados, como, por exemplo, iogurte, queijos, creme de queijo, entre outros. “Uma dieta sem lactose pode até usar leite animal e seus derivados, contanto que eles não contenham de fábrica esse tipo de carboidrato”, diz.

A nutricionista Sabrina Lopes explica que a dieta sem lactose possui o mesmo princípio da dieta sem glúten. Inclusive, elas são muitas vezes associadas. “Os leites e derivados provocam em alguns indivíduos processos inflamatórios no organismo, devido à lactose e às proteínas do leite (caseína e betalactoglobulina). Esses processos inflamatórios provocam inchaço, desconfortos gástricos e excessos de gases. E, quando o leite é eliminado do cardápio, esses sintomas desaparecem”, diz.

Como no caso da dieta sem glúten, destaca a nutricionista Vivian, a restrição é indicada apenas aos pacientes intolerantes à lactose, por baixa ou nenhuma produção da enzima lactase, que é responsável pela quebra e digestão da lactose.

“Ao retirar totalmente alimentos fontes de lactose, a pessoa corre o risco de retirar um grupo alimentar importante para a saúde, já que a indicação diária é de três fontes de leite ou derivados por dia”, explica Vivian.

A nutricionista Sabrina acrescenta que, além de não ser comprovada a perda de peso devido a essa dieta, a restrição de leite e derivados pode afetar os níveis de cálcio no organismo, caso a pessoa não siga uma alimentação balanceada. Por isso é importante que a dieta sem lactose seja elaborada por um profissional.

Relatos de quem já tentou

Kelly Aguado, 28 anos, pedagoga, conta que, ao relatar sua rinite alérgica à nutricionista, ela sugeriu fazer um teste e retirar por um período as fontes de lactose do cardápio. “Por um tempo não comi nenhum derivado de leite, como queijos, iogurtes e afins”, diz. Para mim foi um período ‘difícil’, já que gosto muito de queijos. Mas consegui seguir a dieta e emagreci bastante. Porém, como já fazia um tratamento para o caso da rinite alérgica, não pude associar a melhora com a restrição à lactose”, acrescenta Kelly.

Thaís Mitto, 26 anos, advogada, passou por uma experiência semelhante: ficou por cerca de 15 dias sem consumir produtos com glúten. “Foi uma sugestão da minha nutricionista. Eu estava há um bom tempo passando mal, com dores de cabeça e enjoos, e não conseguíamos detectar o motivo. Paralelamente a isso, eu queria emagrecer. A profissional sugeriu que eu cortasse por alguns dias o glúten, como um ‘teste’, para ver se meus sintomas não eram de intolerância ao glúten”, relata.

“Porém, após alguns dias, não percebemos diferença. Nem mesmo emagrecer, eu emagreci. Então, aos poucos, com orientação da nutricionista, fui voltando a consumir os produtos que consumia antes desta dieta”, explica Thaís.

Dieta sem açúcar

Diferentemente das opções citadas acima, uma dieta sem açúcar pode ser feita por uma pessoa que deseja, simplesmente, perder peso. Mas, ainda assim, é muito importante contar com a orientação de um nutricionista, que possa explicar qual é a melhor maneira de tentar excluir este produto da sua alimentação.

Sabrina Lopes destaca que cortar o açúcar refinado, doces, balas e chocolates da dieta não é uma tarefa fácil, porém, não é impossível. “É uma demonstração de cuidado com o corpo e a saúde”, diz.

A nutricionista Sabrina explica que o açúcar refinado que é encontrado em doces sobrecarrega a glândula responsável pela produção de insulina do organismo, o pâncreas. “Assim, a glicose em excesso é transformada em gordura e fica acumulada no corpo. Esse acúmulo acaba causando doenças como diabetes, hipertensão e obesidade. Então, se eliminarmos o açúcar ou até mesmo reduzirmos as quantidades, conseguimos evitar essas doenças, alcançando mais saúde e qualidade de vida”, diz.

O fator mais complicado é que o açúcar cria um hábito nas pessoas, por isso, é difícil eliminá-lo completamente do cardápio. “É necessário algum esforço para ir reduzindo as quantidades aos poucos, com pequenas trocas, como doces por frutas, chocolates ao leite por chocolate 70% cacau, e por aí vai”, explica Sabrina.

Agora você já sabe: dietas sem glúten e sem lactose, somente em casos especiais, e quando forem prescritas por um nutricionista ou médico. Agora, se sua intenção é cortar ou diminuir o açúcar do seu cardápio, a fim de emagrecer, você pode começar hoje mesmo. Mas, ainda assim, deve consultar um profissional que possa indicar a melhor maneira de se fazer isso, para que você alcance resultados realmente satisfatórios.

Fonte: Dicas de Mulher

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