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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Pesquisa aponta que os descuidados com corpo e alimentação são os mais convictos de que genética influencia peso

Estudo ouviu 8,8 mil pessoas entre 18 a 79 anos

Na Grécia antiga, Moirai – trindade de deusas que determinavam o curso da vida humana – punia e recompensava rigorosamente os homens que, impotentes diante dela, aceitavam o destino com resignação. O mito foi superado pela ciência, que, especialmente nas sociedades ocidentais, procura explicar criteriosamente as condições humanas, biológicas ou não. Para alguns indivíduos, porém, as respostas científicas se tornaram uma espécie de moirai moderno: são usadas como muleta para isentá-los da responsabilidade pela própria saúde. Estudo publicado recentemente na revista Health Education & Behavior constata esse tipo de boicote: pessoas que justificam que a obesidade é determinada pela genética descuidam mais da saúde do que aquelas que, apesar de saber da influência do DNA, se preocupam em controlar o peso.

Mike Parent, da Universidade Texas Tech, nos Estados Unidos, chegou à conclusão depois de analisar dados de 4.166 homens e 4.655 mulheres com 18 a 79 anos e inscritos em uma pesquisa nacional de saúde e nutrição. A idade média dos participantes era de 46 anos. Eles foram instruídos a responder se concordavam com afirmativas apresentadas por um formulário. Entre elas, “algumas pessoas nasceram para ser gordas e outras para ser magras, não há muita coisa que se possa fazer para mudar isso”.

Os participantes também foram questionados sobre a atenção a informações nutricionais nos rótulos dos alimentos; se consumiam frutas e vegetais ou preferiam alimentos prontos; como tinha sido a ingestão de congelados um mês antes da pesquisa; além da quantidade de refeições realizadas fora de casa na semana anterior à investigação.

“A crença de que o peso é imutável foi negativamente relacionada com hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e a alimentação balanceada. Também encontramos evidências de que a relação entre a crença de que o peso pode ser controlado e esses hábitos saudáveis difere por faixa etária”, detalha Parent.

Segundo o pesquisador, à medida que envelhecem, as pessoas que acreditam que o peso é ditado pelo DNA se tornam menos atentas às informações nutricionais, preferem os alimentos congelados e descartam a prática de exercícios físicos da rotina. Os mais jovens e adeptos da mesma crença relataram, no experimento, seguir uma dieta levemente pior, mas não demonstraram ser tão resistentes às atividades físicas. Parent diz que outras estudos detectaram ainda diferenças de gênero na adoção de hábitos saudáveis, com as mulheres sendo mais cuidadosas. Essa relação, porém, não apareceu em seus resultados.

Passividade 

Trabalhos anteriores ao de Mike Parent mostram que, se as pessoas acreditam que um atributo especial pode ser alterado e melhorado, elas estabelecem metas persistentes para alcançá-lo. As que se dão por vencidas, contudo, enxergam esse atributo como intocável, inalcançável. A chamada teoria da entidade afirma que indivíduos com essa visão de mundo tendem a aceitar o fracasso sem questionar. Em 2010, Jeni Burnette, professora da Universidade da Carolina do Norte, também nos Estados Unidos, publicou, na revista Personality and Social Psychology Bulletin uma pesquisa para investigar esse fenômeno.

Algumas pessoas foram aleatoriamente escolhidas para ler artigos que defendiam ou refutavam a imutabilidade do peso. Conforme os resultados, aquelas que leram o primeiro material relataram menor disposição e intenção para se exercitar do as que ficaram com o conteúdo sobre a possibilidade de controle do peso. “Em outro estudo, participantes que expressaram interesse em perder peso e tinham os conceitos da teoria da entidade apresentaram expectativas de perda de peso menores, evitaram o enfrentamento quando confrontadas sobre o retrocesso no emagrecimento e, em última análise, emagreciam menos, mesmo com acompanhamento nutricional”, acrescenta Parent.

O pesquisador alerta que o convencimento de que a genética é o principal fator para a obesidade leva a um comportamento autodestrutivo, que gera problemas como diabetes tipo 2, doença cardiovascular, câncer, dores nas costas, depressão, distúrbios de autoimagem e transtornos do sono. 

Na verdade, segundo ele, a genética responde por, no máximo, 60% da variação do peso. E em casos específicos.

Metabolismo 

Nutróloga e especialista em medicina do esporte pela Associação Médica Brasileira, Alice Amaral esclarece que não existe obesidade saudável, nem mesmo quando o obeso ainda não desenvolveu problemas metabólicos. “Ele apresenta risco 24% maior de morte prematura, que pode ser causada por eventos súbitos, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular encefálico. Isso porque um dos riscos mais evidentes da obesidade é o acúmulo de gordura nas artérias”, explica. Pode ocorrer, diz a especialista, de o obeso ter uma reserva metabólica funcional orgânica que compense as alterações ocasionadas pelo peso em excesso. “Mas, com certeza, essas alterações vão aparecer muito antes do esperado”, adverte.

Segundo a nutróloga, as chances de uma criança filha de pais obesos desenvolver obesidade é 80% maior do que aquela com pais magros. Para médicos e cientistas, já está bem estabelecido que a genética responde por apenas parte dessa herança. Já o ambiente em que a pessoa está inserida é determinante para a expressão dos genes envolvidos na engorda. O estado mental do indivíduo, a médica acrescenta, também deve ser levado em consideração.

Alice Amaral conta que a depressão é responsável por aumentar em 30% as possibilidades de ganho de peso devido, principalmente, ao aumento das taxas de cortisol, hormônio do estresse que favorece o acúmulo de células de gordura na região abdominal. Outra relação é a redução da produção de noradrenalina e serotonina, substâncias que induzem a uma disfunção hormonal que tem como consequência o maior desejo por carboidratos. Todas essas dificuldades, porém, não devem ser consideradas barreiras, defende a nutróloga. “Importante é saber que existe luz no fim do túnel. Genética não é destino.”

Fonte: Correio Braziliense

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Obesidade eleva em até 40% risco de sete tipos de câncer em mulheres


Uma pesquisa da organização britânica Cancer Research UK sugere que a obesidade aumenta em até 40% as chances de mulheres desenvolverem sete tipos de câncer.
O problema pode aumentar o risco de câncer de intestino, câncer de mama depois da menopausa, de vesícula biliar, rins, pâncreas, útero e câncer de esôfago.
Segundo os pesquisadores, a obesidade pode aumentar o risco de desenvolver câncer de muitas formas. Uma possibilidade é que a doença esteja ligada à produção de hormônios em células de gordura, especialmente o estrogênio.
Acredita-se que o estrogênio seja o combustível para o desenvolvimento de câncer.
A pesquisa analisou um grupo de mil mulheres obesas e descobriu que, neste grupo, 274 tinham maior tendência a desenvolver câncer ao longo de sua vida.
Os pesquisadores também analisaram um grupo de mil mulheres com o peso considerado normal e descobriram que 194 mulheres tinham chances de ser diagnosticadas com câncer durante suas vidas.

‘Pequenas mudanças’

Para Julie Sharp, chefe do setor de informações para saúde da Cancer Research UK, ‘pequenas mudanças’ no estilo de vida já podem ajudar a evitar a doença em mulheres obesas.
“Perder peso não é fácil, mas você não tem que entrar para uma academia e correr quilômetros todo dia, ou desistir de sua comida favorita para sempre.”
“Fazer pequenas mudanças que você consegue manter no longo prazo pode ter um impacto real. Para começar, tente sair do ônibus uma parada antes da sua e cortar alimentos gordurosos ou com muito açúcar”, afirmou.
“Perder peso demora, então, gradualmente, aumente (exercícios e alimentação saudável) para chegar a um estilo de vida mais saudável que você consegue manter”, acrescentou.
“Sabemos que nosso risco de desenvolver câncer depende de uma combinação de nossos genes, nosso ambiente e outros aspectos de nossas vidas, muitos dos quais podemos controlar. Ajudar as pessoas a entender como elas podem reduzir o risco de desenvolver câncer ainda é crucial para enfrentar a doença”, afirmou.
Para a médica, mudanças no estilo de vida como “parar de fumar, manter um peso saudável, ter uma dieta saudável e diminuir o consumo de álcool” são grandes oportunidades para reduzir o risco de desenvolver a doença.
“Fazer estas mudanças não é uma garantia contra o câncer, mas aumenta as possibilidades a nosso favor”, disse.
Fonte: BBC Brasil.

domingo, 19 de julho de 2015

Você pensa com a razão ou com a emoção? Sua resposta pode dizer muito sobre sua relação com os outros!


Em 2013, cientistas fizeram essa pergunta para centenas de estudantes da Universidade Estadual da Dakota do Norte. E os cientistas notaram que a resposta revelava uma série de características psicológicas.

A maioria das pessoas que dizia que o seu 'eu' estava no coração (cerca de metade dos entrevistados) era mulher e tinha mais chance de confiar nas emoções para fazer decisões morais - como responder a um guarda de prisão que dizia que iria matar um prisioneiro e seu filho se você mesmo não matasse seu filho. Bizarro, sabemos. Nessa situação hipotética, pessoas 'coração' tinham mais chances de dizer que não matariam o próprio filho - uma escolha emocional e não racional, já que duas pessoas estariam condenadas e não apenas uma.  Já pessoas que dizem que o 'eu' está no cérebro tinham performances melhores em testes de conhecimento geral e reagiam menos em situações estressantes.

Agora novas pesquisas estão adicionando um tempero extra a essas descobertas. Um estudo recente mostra que o local onde pessoas colocam seu 'eu' pode interferir em suas visões sobre a legalização do aborto ou os critérios que definem a morte de uma pessoa. Cientistas da Universidade de Columbia usaram vários parâmetros para estabelecer se uma pessoa é mais emotiva ou racional (coração x cérebro) - assim a definição era menos sujeita a uma única resposta sem muita reflexão do entrevistado.

Por exemplo, imagine que você é um doador de órgãos e que, após a sua morte e os transplantes, você tivesse 100 milhões de dólares para distribuir entre as pessoas que recebessem os órgãos. A maior parte das pessoas daria a maior parte ou para o receptor do coração ou do cérebro (no exercício o transplante cerebral era possível), com apenas uma pouca quantia indo para os receptores dos olhos, estômago e outras partes. Homens deram mais dinheiro para os receptores do cérebro, mas nem tantas mulheres davam mais dinheiro para os receptores do coração.

Quem afirmava pensar com o coração era mais passível a apoiar leis mais rígidas para o aborto, baseadas na primeira detecção da batida cardíaca do feto, e afirmavam que a morte deveria ser decretada quando o coração para de bater e não quando o cérebro para de funcionar. Também é engraçado que essas pessoas tinham maiores chances de doar dinheiro para entidades de pesquisas sobre doenças cardíacas enquanto pessoas cerebrais doavam para entidades que pesquisavam doenças como o Alzheimer.

Os cientistas acreditam que onde localizamos nosso 'eu' é relacionado com a visão que temos sobre o nosso relacionamento com outras pessoas. Gente que se considera mais independente localiza o eu no cérebro enquanto os mais família apontam o coração.

Se o que os cientistas acham, que a localização do eu pode determinar traços de personalidade, ficar provado, um novo campo de pesquisa pode ser aberto. Pode-se determinar, por exemplo, as melhores opções de carreira para alguém, novas estratégias de marketing serão criadas e também a nossa forma de interpretar outras pessoas pode mudar.

Fonte: Science of Us


quinta-feira, 2 de julho de 2015

A ciência recomenda: para uma vida longa, faça exercícios físicos intensos


Para viver mais e com saúde não basta fazer caminhadas ou dar algumas braçadas na piscina. São as atividades físicas que fazem suar e tiram o fôlego o segredo da vida longa, de acordo com estudo publicado na revista Jama Internal Medicine, da Associação Médica Americana. Os resultados mostram quem a taxa de mortalidade daqueles que incluem exercícios vigorosos na rotina é 9% a 13% menor do que a de quem faz exercícios leves ou moderados.
“Homens e mulheres de todas as idades se beneficiam de atividades intensas, independentemente do total de tempo de atividade”, afirma Klaus Gebel, pesquisador da Universidade James Cook, na Austrália e líder do estudo. “Nossas conclusões indicam que sendo ou não obeso, tendo ou não diabetes ou doenças cardíacas, se alguém pode praticar alguma atividade vigorosa ela irá oferecer benefícios significativos para a longevidade.”
Atividades intensas - Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisadores analisou os dados de 204 542 adultos de 45 a 75 anos entre fevereiro de 2006 a junho de 2014. Foram comparados aqueles que incluíram alguma atividade intensa em sua rotina, como corrida, aeróbica ou tênis; quem praticava atividades intensas em mais de 30% da rotina e aqueles que não praticavam atividades físicas intensas. Em seguida, os cientistas analisaram as taxas de mortalidades dos grupos.
Os resultados indicaram que aqueles que faziam alguma atividade física intensa tinham um índice de mortalidade 9% menor que aqueles que não praticavam exercícios vigorosos. Já no grupo em que a rotina de exercícios era 30% ou mais composta de atividades intensas a taxa era 13% menor.
“Mesmo pequenos episódios de atividades físicas vigorosas pode ajudar a reduzir o risco de morte precoce”, explica Gebel. “Para aqueles com restrições e mesmo para quem nunca praticou esse tipo de exercícios é importante conversar com seu médico. Mas estudos anteriores mostram que alguns momentos de exercícios intensos podem ser incluídos mesmo na rotina de idosos ou daqueles que estão acima do peso.”
Os pesquisadores afirmam no estudo que a descoberta pode fazer com que as atividades físicas intensas possam ser encorajadas por médicos e mesmo em diretrizes de políticas públicas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere que adultos pratiquem por semana 150 minutos de atividades físicas moderadas ou 75 minutos de atividades físicas intensas. No entanto, dizem os pesquisadores, essas atividades não são equivalentes para a saúde do organismo.
Exercícios que fazem suar - Os resultados da pesquisa australiana estão de acordo com outros estudos internacionais publicados nos últimos anos que demonstram que exercícios que fazem o corpo suar bastante podem contribuir para a diminuição de doenças e o aumento da longevidade. Um deles, publicado também este ano no Jama Internal Medicine e feito por pesquisadores finlandeses sugere que tomar banhos de sauna regularmente diminuiria em 50% o risco de morrer de doenças cardiovasculares e aumentaria a longevidade. Banhos de mais de 20 minutos são aqueles que oferecem a maior proteção. De acordo com os pesquisadores, mais estudos são necessários para descobrir os mecanismos por que a sauna tem efeito na longevidade.
Fonte: Veja Abril.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Em seis anos, brasileiros diminuem consumo de refrigerante em 20%


Os brasileiros estão bebendo menos refrigerante, mas ainda consomem carne com excesso de gordura e incluem menos frutas e legumes no cardápio do que o recomendado.

A análise faz parte de uma pesquisa que retrata os hábitos de alimentação no país, divulgada nesta terça-feira (7) pelo Ministério da Saúde.

Em seis anos, o consumo de refrigerante diminuiu em 20%, segundo os dados da Vigitel 2014, pesquisa que monitora fatores de risco para a saúde.

A bebida, porém, não saiu da mesa dos brasileiros: cerca de 20,8% da população bebe refrigerante cinco vezes ou mais na semana, de acordo com a pesquisa.

Também houve queda no número de brasileiros que consomem carne com excesso de gordura. Em 2007, o percentual da população que tinha esse hábito era de 32,7%. Hoje, é de 29,4%.

Apesar da leve queda, o índice ainda é considerado alto, segundo o Ministério da Saúde. E é ainda maior entre os homens: 38,4%. Entre as mulheres, o percentual cai para 21,7%.

Frutas e legumes também estão em falta no cardápio de boa parte da população. Dados da Vigitel mostram quem apenas um quarto dos brasileiros, ou 24,1%, consome a quantidade tida como ideal de frutas e verduras – a Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão diária de ao menos 400 gramas desses alimentos.

Em geral, esse consumo diminui ainda mais entre os homens. Apenas 19,3% deles consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças -o percentual é de 28,2% entre as mulheres.

FEIJÃO E ARROZ

Se as frutas ainda ficam de fora dos hábitos alimentares de parte da população, o feijão permanece como o alimento preferido dos brasileiros.

De acordo com a pesquisa, 66% da população come feijão em cinco ou mais dias da semana, um índice que se mantém estável ao longo dos anos. Foram entrevistadas 14 mil pessoas.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, os dados mostram a necessidade de investir em medidas de incentivo à alimentação saudável. Hoje, cerca de 50% da população adulta apresenta sobrepreso e 17% é obesa, afirma.

“A alimentação saudável passa cada vez mais por valorizar uma alimentação in natura e os alimentos minimamente processados e evitar os ultraprocessados [industrializados]”, afirmou o ministro, durante um evento de lançamento de um guia de alimentos regionais feito pela pasta.

“Não se trata de ser contra a industrialização. Mas podemos ter um mundo mais saudável se fornecermos elementos críticos para que a população faça suas escolhas [na alimentação].”

Fonte: O Tempo

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Cérebro é programado para odiar dietas, indica estudo


Uma pesquisa sugere que o cérebro humano foi programado para ‘odiar’ dietas.

Segundo cientistas americanos no Campus de Pesquisa Janelia Farm, do Instituto Médico Howard Hughes, células do cérebro sensíveis à fome, conhecidas como neurônios AGRP, são as responsáveis pelo horror à dieta.

Os pesquisadores fizeram experiências que mostraram que estes neurônios são responsáveis pelas sensações desagradáveis associadas à fome, que tornam os petiscos irresistíveis.

Segundo o líder do grupo de pesquisa, Scott Sternson, as emoções negativas associadas com a fome podem transformar a dieta e a perda de peso em uma tarefa muito difícil, e a explicação pode estar nestes neurônios.

Em um ambiente no qual a comida está sempre disponível, os sinais difíceis de ignorar enviados por estes alimentos podem parecer irritantes para quem está de dieta, mas, do ponto de vista da evolução dos humanos, estes sinais podem fazer sentido.

Para os primeiros humanos – e para animais selvagens – a busca por alimentos e água podia significar a entrada em um ambiente arriscado, algo que só poderia acontecer se o humano ou animal recebesse um estímulo.

“Suspeitamos que estes neurônios estão impondo um custo por você não lidar com suas necessidades fisiológicas (como a fome)”, afirmou Sternson.

Os neurônios AGRP não levam um animal diretamente a comer, mas ensinam o animal a responder a pistas sensoriais que sinalizam a presença de comida no ambiente.

“Acreditamos que estes neurônios são um sistema motivacional muito antigo que obrigam o animal a satisfazer suas necessidades fisiológicas”, afirmou Sternson.

A equipe do cientista americano também demonstrou que existe um grupo diferente de neurônios especializado em gerar sensações desagradáveis de sede.

As descobertas foram publicadas na revista especializada Nature.

Desagradável

A fome afeta quase toda célula do corpo e vários tipos de neurônios são dedicados a fazer com que um animal se alimente quando seus níveis de energia estiverem baixos.

Mas, segundo Sternson, até agora, o que os cientistas sabiam sobre estes neurônios não combinava totalmente com que todo mundo já sabia: fome é desagradável.

“Havia uma previsão anterior de que haveria neurônios que fazem você se sentir mal quando está com fome ou sede. Isto faz sentido de um ponto de vista intuitivo, mas todos os neurônios analisados pareciam ter o efeito oposto”, afirmou o cientista.

Em estudos anteriores, os pesquisadores descobriram que os neurônios que promovem a alimentação o faziam aumentando os sentimentos positivos associados à comida. Em outras palavras: fome faz a comida ter um gosto melhor.

Alguns cientistas começaram a suspeitar de que a ideia sobre um sinal negativo no cérebro motivando a fome poderia estar errada.

Mas o conhecimento deles sobre o sistema era incompleto. Os neurônios AGRP, localizados em uma área do cérebro conhecida como hipotálamo, estavam claramente envolvidos nos comportamentos de alimentação.

Sabores e sinais

Quando falta energia no corpo, os neurônios AGRP ficam ativos e, quando estes neurônios estão ativos, os animais se alimentam. Mas ninguém tinha investigado a estratégia destes neurônios para gerar esta motivação.

Os pesquisadores então tentaram descobrir como isto funciona a partir de uma série de experimentos comportamentais. No primeiro experimento, os cientistas ofereceram a camundongos bem alimentados dois tipos de gel com sabor, um de morango e outro de laranja.

Nenhum gel continha nutrientes, mas os camundongos experimentaram os dois.

Então os cientistas manipularam os sinais de fome nos cérebros dos animais ao ligar os neurônios AGRP enquanto eles comiam um dos dois sabores. Em testes seguintes, os animais evitaram o sabor associado com o sinal falso de fome.

Em outra experiência, os cientistas desligaram os neurônios AGRP enquanto os animais famintos consumiam um sabor em particular. Os animais desenvolveram a preferência pelo sabor que levou à desativação dos neurônios AGRP, sugerindo que eles foram motivados pelo desligamento do sinal desagradável enviado pelas células.

Os cientistas também observaram em outras experiências que os camundongos também aprenderam a procurar lugares onde os neurônios AGRP tinham sido silenciados e evitar os lugares onde estavam quando estes neurônios estavam ativos.

Visão da comida

Os cientistas também usaram um microscópio minúsculo para examinar dentro dos cérebros dos camundongos famintos e monitorar a atividade dos neurônios AGRP.

Como esperado, as células ficaram ativas até que os camundongos encontrassem comida.

O surpreendente, segundo Sternson, é que os camundongos não tinham necessariamente que comer para aquietar os neurônios. Assim que o animal via o alimento, ou mesmo recebesse um sinal de que iria se alimentar, a atividade destes neurônios parava. E a atividade permanecia baixa enquanto o animal estava comendo.

Os cientistas também fizeram experiências relacionadas à sede, manipulando neurônios ligados a esta sensação, encontrados em uma região do cérebro conhecida como órgão subfornical.

E o comportamento dos camundongos foi parecido: eles evitavam lugares onde estes neurônios estavam ativos indicando que as células geravam uma sensação negativa.

E, novamente, as descobertas correspondiam às experiências comuns.

“Há uma qualidade motivacional parecida entre a fome e a sede. Você quer que as duas acabem”, disse Sternson.

Fonte: BBC Brasil

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